terça-feira, 23 de setembro de 2008

Céu, sol, sul, terra e cor!

No último sábado, 20, lá no meu Estado foi comemorado o Dia da Revolução Farroupilha... Quase me esqueci o dia que era até ver uma matérial em um jornal de rede nacional falando das comemorações... Então me lembrei de como realmente sinto falta todos os dias do meu Rio Grande do Sul e de como me sentia lá. Foi uma nostalgia tão gostosa, na hora tive vontade de chorar, mas não de tristeza, sim por ver que minhas origens são de um Estado tão rico em história e cultura e como me orgulho de dizer que sou gaúcha, mesmo estando tanto tempo longe do meu aconchego. Lembrei de um tempo que era criança e como me sentia e percebi que "não podemos se entregar de jeito nenhum, amigo e companheiro. Não tá morto quem luta e peleia. Pois lutar é a marca de um campeiro!"

A seguir posto uma crônica do Arnaldo Jabor, que demonstra bem esse sentimento tão forte que o gaúcho têm por seu Estado e o orgulho de sua terra e de suas façanhas!


DE ONDE VIRÁ O GRITO?

Num texto anterior introduzi o conceito de “Ressentimentos Passivos “. Para relembrar, lá vai um trecho: “Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo essentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e falam “que vergonha”. Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam “que absurdo”. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram “que medo”. E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição “neste país”. Do ressentimento passivo à participação ativa”. Pois recentemente estive em Porto Alegre , onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou.

Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul.

Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra! “Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade”. Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo.

Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é “comunidade”. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é… Foi então que me deu um estalo. Sabe como é que os “ressentimentos passivos” se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de
mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção.

São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes. Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais
uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo. Que venham, pois.

Com orgulho me juntarei a eles. De minha parte, eu acrescentaria, ainda:
“…Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra…”

Arnaldo Jabor



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